Diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo: Impacto nas famílias e bases epistemologicas do structured Teacching - Aula 04

Dificuldades diagnósticas autismo - Aula 04.

O que é a CID?

CID - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde

CID é a sigla para Classificação Internacional de Doenças, uma ferramenta padronizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que atribui códigos únicos a lesões, doenças, sintomas e causas de morte. O objetivo da CID é fornecer uma "linguagem comum" para profissionais de saúde em todo o mundo, permitindo o registro, análise e comparação de dados de saúde de forma consistente entre diferentes hospitais, regiões e países. 

CID11 

Entrou em vigor desde 2022 e aqui no Brasil ainda está em processo de tradução, então ainda podem vigorar a CID 10 e a CID 11 de uma forma simultânea. Mas a gente precisa entender que a nomenclatura ficou bem diferente.

Atualmente, além dos critérios diagnósticos, da falha comunicativa e dos padrões de repetições de comportamento, padrões que são observados ao longo do tempo e que se mantêm, a gente tem inferências. A funcionalidade cognitiva e da expressão da linguagem. Ou seja, até um tempo atrás, na CID-10, nós tínhamos uma CID mais guarda chuva, mais abrangente, onde indivíduos com diferentes funcionalidades dentro do transtorno do Espectro do Autismo eram colocados em uma mesma classificação. Então nem sempre, a pessoa que ia receber esse parecer sabia exatamente o suporte necessário ou a funcionalidade desse indivíduo. 

Com isso, a gente consegue através dessa CID-11, esclarecer muito mais sobre os limites de desenvolvimento típico e atípico.  A qualidade da comunicação, da interação e desses padrões de comportamento. 

A CID-11 também considera aspectos importantes de temporalidade. São descritos já sinais em bebês. Como se observam os sintomas nos anos da pré-escola (nos prescolares), nos adolescentes e nos adultos. 

Também na CID-11 são consideradas as interferências dos fatores culturais e de gênero, o que confere uma modernidade e uma adaptação aos tempos que nós estamos vivendo. 

Então, no Transtorno do Espectro do Autismo, nos precisamos fazer diagnóstico diferencial com outras patologias do neurodesenvolvimento.

Diagnóstico diferencial e comorbidade com:

 - Transtorno do Desenvolvimento Intelectual

- Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem, sobretudo aquilo que nos remete às falhas pragmáticas.

As vezes fica muito sutil essa diferença. 

- Transtorno de Coordenação Motora

As habilidades práxicas podem estar grandemente comprometidas. Na maioria das vezes, isso é comórbido.

- TDAH

 A gente também pode aceitar comorbidade e diagnóstico diferencial com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. 

- Transtorno do movimento estereotipado, tiques e Tourette.

Não raro, crianças e adolescentes acabam recebendo diagnóstico de TDH e TOD. E quando a gente vai olhar com maior cuidado, a gente começa a ver uma rigidez cognitiva muito significativa. A falha da atenção compartilhada pelo Transtorno do Espectro do autismo e não somente pelo TDAH.

E então a gente pode observar que ao longo do tempo vai tendo maiores prejuízos sociais e com isso a gente pode modificar o nosso olhar. Talvez deixar o TDAH como uma comorbidade e sim enxergar o transtorno do espectro do autismo como base. 

Ainda é preciso um diagnóstico diferencial e pod cursar como comorbidades do transtorno do movimento estereotipado, os tiques, tourette. 

- TARE (Transtorno alimentar restritivo e evitativo)

É comum também, por conta das alterações de processamento sensorial, nós tenhamos indivíduos com transtorno alimentar restrito e evitativo e isso requer o nosso olhar clínico cuidadoso, porque isso pode colocar um indivíduo numa situação de vulnerabilidade, de doença, de sofrimento clínico, por não receber um suporte nutricional adequado.

CID-11 

6A02 - Transtorno do Espectro do Autismo 

Diagnóstico diferencial e comorbidade com:

- TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo)

- Mutismo seletivo 

-;Transtorno esquizotípico e esquizofrenia.

Ainda, nós precisamos diferenciar e entender esses sintomas, tanto como diagnóstico diferencial quanto como comorbidade para o transtorno obsessivo compulsivo, para mutismo seletivo, para transtornos que são esquizotípicos ou as vezes esquizofrenia. Num momento muito inicial de manifestação.

- Transtorno de apego reativo

Aqueles casos também de transtorno de um apego muito reativo. 

-  TOD (Transtorno de oposição e desafio)

- E outras condições neurológicas

Existem pacientes que têm epilepsia de determinadas áreas cerebrais que podem ter manifestações comportamentais muito disruptivas, podem ter comprometimento de linguagem. Existem uma certa forma de epilepsia por exemplo, que cursa com a involução das habilidades de linguagem e que, depois de um tempo, com o tratamento adequado da epilepsia, a habilidade de linguagem expressiva  é retomada. 

Então, o quanto é importante nós olharmos todo. Dessa forma, A gente consegue colocar essa sintomatologia dentro de uma CID. 

Hoje nós entendemos o transtorno do espectro do autismo 

CID-11

Autismo é o CID-11 e está sobre a numeração 6A02.

6A02 - Transtorno do Espectro do Autismo.

E para isso, de acordo com o comprometimento da linguagem e os aspectos cognitivos, uma numeração que vai fazer uma inferência a gravidade de cada caso. 

6A02.0
6A02.1
6A02.2
6A02.3
6A02.5

6A02.0 - Para aqueles indivíduos que não têm déficit cognitivo e que têm ausência ou um sutil comprometimento de linguagem funcional. 

6A02.1 - Indivíduo que possui um déficit cognitivo presente e comprometimento sutil na linguagem funcional. 

6A02.2 - Pessoa com cognição preservada, porém um comprometimento já significativo da linguagem funcional.

6A02.3 - Pessoa com comprometimento da linguagem funcional e com déficit cognitivo.

6A02.5 - Aqueles indivíduos que têm ausência de linguagem funcional. 

Observação:

6A02.4 FOI RETIRADO DESSA CLASSIFICAÇÃO - Porque se acredita que a linguagem é um constructo que ocupa grande parte que a gente entende por inteligência global. Então engloba habilidades meta cognitivas e de flexibilidade cognitiva, habilidades inferências, compreensão, automonitoramento.  Já se faz uma inferência de que, quando isso acontece, a gente provavelmente tenha um déficit cognitivo, mesmo que seja sutil associado. Claro que existem testagem que avaliam constructos que são não verbais e com isso a gente consegue fazer a diferença do que é aquele prejuízo no somatório do potencial cognitivo ou aquilo que é do impacto da linguagem sobre o QI total.

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